Amor de Perdição: Um Romance Tão Trágico Quanto Romeu E Julieta
O amor na sua forma mais simples, mais contagiosa, mais melosa e mais dramática.
Durante os 15 dias que passara na prisão do Porto, Portugal, Camilo Castelo Branco escreveria um dos seus romances românticos mais trágicos: Amor de Perdição.
O romance, pertencente a 2ª Geração do Romantismo, nos conta a história do tio do escritor, Simão Botelho, um jovem de 15 anos e filho de um importante fidalgo de Viseu, que possuía um comportamento violento e irresponsável, o que gera vários problemas e preocupações na família. Esse comportamento muda totalmente em uma temporada que passa na casa de sua família, quando conhece e se apaixona por Teresa de Albuquerque, sua vizinha e filha do inimigo de seu pai. Devido a inimizade entre as duas famílias e as várias medidas tomadas para impedir que o casal ficasse juntos, o amor de Simão e Teresa torna-se algo proibido e, ao mesmo tempo, o significado e objetivo de suas vidas.
Certo dia, Simão teve que retornar a Coimbra para dar continuidade a seus estudos e, a partir de então, eles passaram a se comunicar apenas por cartas que, a cada vez, estavam mais repletas de amor, saudades e esperanças. Porém, apesar da distância entre o casal, as medidas para por fim ao romance não cessavam. Quando Tadeu descobre que sua filha continuava a manter contato com Simão, decide pô-la em um convento, uma vez que ela se recusava a se casar com Baltasar Coutinho, seu primo. Ao saber disso, Simão larga tudo e se muda para Viseu sem contar a ninguém com o objetivo de sequestrar Teresa. Quando chega à cidade, fica hospedado na casa de João da Cruz, um ferreiro que, imediatamente, torna-se seu amigo. Durante a estadia nessa casa, Simão conhece Mariana, filha de João, que passa a considerar como amiga, apesar de saber dos sentimentos que a garota nutria por ele.
Baltasar, como ainda não havia desistido de se casar com Teresa, quando descobre o plano de Simão, tenta impedi-lo. Simão não consegue cumprir seu plano e ainda sai ferido. Em seguida, Teresa é mandada para um convento. Porém, ambos tinham esperança que um dia ficariam juntos. Os dias foram passando e, como nada mudava, o que antes era o amor na sua forma mais pura e esperançosa, passou a dar lugar a um sentimento de tristeza e de desilusão. Enquanto Simão sofria longe de Teresa, Mariana dava coragem a ele e se mostrava como uma ótima amiga, o que fazia com que Simão sofresse ainda mais, porque sabia o que ela sentia, assim como sabia que ele nunca a amaria.
Certa vez, em uma das cartas, Teresa conta que seria transferida para um convento na cidade do Porto e pedia para que ele não tentasse impedir. Desanimado com tudo, Simão vai até lá e mata Baltasar, com esperança de ser preso e que recebesse a morte na forca como pena.
Mas a história de Teresa e Simão acabaria assim depois de três? O amor não suportaria as complicações? O destino estaria decidido não dar nenhuma chance a eles?
Narrado em várias vozes, Amor de Perdição nos leva a uma reflexão sobre o próprio amor. Ele é capaz de suportar a distância? Ele aumenta ou quebranta com as dificuldades?
Por pertencer a 2ª Geração Romântica, a obra é repleta de um sentimentalismo exagerado, um alto teor de sofrimento, de subjetividade e de idealizações, além de um vocabulário pouco utilizado. Porém, parecido com Romeu e Julieta, e com um final tão triste quanto, Amor de Perdição deixa um vazio no peito ao ser terminado e se torna algo impossível de ser recontado por uma semana.
Amor de Perdição merece estar na lista dos clássicos do Romantismo, configurando ao lado de obras de autores consagrados como Jane Austen, Álvaro de Azevedo, José de Alencar, entre outros.